
A dificuldade para ouvir pode ir além de um incômodo momentâneo e ter impacto direto na saúde do cérebro. Estudos recentes mostram que a perda auditiva está entre os principais fatores de risco para demência, condição que pode ter até 48,2% dos casos prevenidos no Brasil, segundo levantamento publicado na The Lancet Global Health (2024).
O dado ganha ainda mais relevância diante do cenário global. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de 1,5 bilhão de pessoas vivem com algum grau de perda auditiva, número que pode chegar a 2,5 bilhões até 2050. Já a demência afeta mais de 55 milhões de pessoas no mundo.
Apesar disso, a perda auditiva ainda é subdiagnosticada e muitos sinais passam despercebidos no dia a dia. Especialistas alertam que identificar esses indícios precocemente pode ser fundamental para preservar as funções cognitivas.
A seguir, veja quatro sinais de alerta:
- Você pede para as pessoas repetirem com frequência
Se você costuma pedir para repetir frases, principalmente em conversas do dia a dia, pode ser um indicativo de perda auditiva inicial.
Esse esforço constante para compreender a fala aumenta a sobrecarga do cérebro, o que pode impactar funções cognitivas ao longo do tempo.
- Dificuldade para acompanhar conversas em ambientes ruidosos
Restaurantes, reuniões ou encontros com várias pessoas podem se tornar desafiadores para quem está com perda auditiva.
A tendência é que o cérebro precise “compensar” a dificuldade de ouvir, reduzindo sua capacidade de processar outras informações — o que pode afetar memória e atenção.
- Aumento constante do volume da TV ou do celular
Se outras pessoas comentam que o volume está alto demais, esse pode ser um sinal importante.
Muitas vezes, esse comportamento é naturalizado, mas pode indicar que a audição já está comprometida.
- Evitar interações sociais ou sentir cansaço após conversas
A perda auditiva pode levar ao isolamento social, já que a comunicação se torna mais difícil e cansativa.
Esse afastamento é um dos principais fatores associados ao declínio cognitivo e ao aumento do risco de demência.
Qual a relação entre audição e memória?
A conexão entre perda auditiva e demência está ligada a diferentes fatores. A dificuldade de ouvir reduz a estimulação cerebral, aumenta o esforço cognitivo e pode levar ao isolamento social — três elementos diretamente associados ao declínio cognitivo.
“A perda auditiva não tratada pode acelerar o declínio cognitivo, pois priva o cérebro de estímulos essenciais e impacta diretamente a comunicação e a interação social. O diagnóstico precoce é fundamental para preservar a saúde mental e cognitiva”, explica a fonoaudióloga Gisele Munhoes dos Santos.
O que fazer ao identificar os sinais?
Segundo especialistas, a recomendação é buscar avaliação auditiva o quanto antes. O uso de aparelhos auditivos, quando indicado, pode ajudar a manter o cérebro ativo, melhorar a comunicação e reduzir impactos cognitivos.
“Muitas pessoas demoram a procurar ajuda, o que pode agravar o quadro. Quanto antes houver intervenção, maiores são as chances de preservar as funções cognitivas ao longo do tempo”, completa a especialista.
Um alerta para além da audição
Com o envelhecimento da população e o aumento de casos entre adultos mais jovens, a perda auditiva passa a ser vista como um tema estratégico de saúde pública. Cuidar da audição, hoje, é também uma forma de cuidar da memória no futuro.
Por Redação
