Home Notícias A epidemia silenciosa da perimenopausa: milhões de mulheres não sabem como tratar

A epidemia silenciosa da perimenopausa: milhões de mulheres não sabem como tratar

by Madalena

Ansiedade. Insônia. Cansaço constante. Ganho de peso. Falta de libido. Irritabilidade. Dificuldade para emagrecer. Para muitas mulheres entre 35 e 45 anos, esses sintomas costumam receber um mesmo diagnóstico: estresse, excesso de trabalho ou até depressão.

Mas existe uma possibilidade frequentemente negligenciada: elas podem já estar vivendo a perimenopausa.

Segundo a endocrinologista e metabologista Dra. Ully Caroline Fernandes e Sousa, um dos maiores equívocos sobre a saúde da mulher é acreditar que a menopausa começa apenas quando a menstruação desaparece.

A menopausa é um marco. A perimenopausa é um processo. E esse processo pode começar entre cinco e dez anos antes da última menstruação.” É justamente nessa fase que o organismo inicia uma intensa reorganização hormonal, provocando alterações que vão muito além dos fogachos.

A fase que quase ninguém reconhece

Embora a menopausa seja definida somente após 12 meses consecutivos sem menstruar, a transição hormonal pode começar ainda na quarta década de vida. A mulher continua menstruando, muitas vezes mantém exames aparentemente normais e, por isso, dificilmente associa seus sintomas às alterações hormonais. A consequência é um atraso no diagnóstico.

“Muitas pacientes chegam dizendo que perderam a disposição, não conseguem mais emagrecer, estão irritadas, dormem mal e acreditam que simplesmente envelheceram. Na realidade, o organismo já está passando por profundas mudanças hormonais.”

Segundo a The Menopause Society, aproximadamente 85% das mulheres apresentam sintomas durante essa transição, sendo alterações do sono, fogachos, fadiga e oscilações de humor os mais frequentes.

Não são apenas hormônios

A queda progressiva do estrogênio modifica praticamente todos os sistemas do organismo.

Não estamos falando apenas de sintomas ginecológicos. Estamos falando de uma mudança metabólica importante que influencia composição corporal, saúde cardiovascular, cognição, energia e qualidade de vida.”

O perigo de tratar apenas os sintomas

Na prática clínica, é comum que mulheres procurem diferentes especialistas ao longo de anos.

  • Tratam de ansiedade.
  • Depois insônia.
  • Depois ganho de peso.
  • Depois fadiga.

Sem que ninguém conecte todos esses sinais como parte da mesma transição hormonal. “O problema não é apenas conviver com sintomas. É perder uma janela extremamente importante para prevenção.”

Dados mostram que, após a menopausa, aumenta o risco de doenças cardiovasculares, osteoporose, diabetes tipo 2 e perda acelerada de massa muscular.

Quanto mais cedo a mulher reconhece essa fase, maiores são as possibilidades de intervenção individualizada para preservar saúde e qualidade de vida.

O sofrimento não deve ser normalizado

Para a Dra. Ully, um dos maiores desafios ainda é cultural. “As mulheres foram ensinadas a acreditar que sofrer faz parte da perimenopausa. Não faz.

Segundo ela, hoje existem estratégias baseadas em evidências que podem ser individualizadas conforme a história clínica, os sintomas e os fatores de risco de cada paciente.

O objetivo não é apenas controlar ondas de calor. É preservar saúde metabólica, função cognitiva, libido, massa muscular, qualidade do sono e bem-estar para que a mulher continue vivendo sua melhor fase.

Mais do que uma etapa inevitável da vida, a perimenopausa representa uma oportunidade de prevenção, desde que seja reconhecida antes que os sintomas sejam tratados como algo “normal” ou apenas consequência da idade.

Por Redação

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