Home Notícias O que a ciência já sabe sobre a Doença de Creutzfeldt-Jakob

O que a ciência já sabe sobre a Doença de Creutzfeldt-Jakob

by Madalena

A Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) é uma enfermidade neurológica rara, grave e de evolução rápida e uma condição ainda pouco conhecida pela população, que representa um importante desafio para a neurologia.

A doença faz parte do grupo das chamadas doenças priônicas, relacionadas a alterações anormais em proteínas que podem provocar danos progressivos às células do sistema nervoso.

Os príons são proteínas que sofrem uma alteração em sua estrutura e passam a induzir outras proteínas a adquirir a mesma conformação anormal. Esse processo provoca danos progressivos às células do sistema nervoso, comprometendo o funcionamento do cérebro”, explica a Dra. Alice Del Colletto, professora e coordenadora do curso de Biomedicina da Estácio.

Segundo a especialista, na maioria dos casos, a doença ocorre de forma esporádica, sem que seja possível identificar uma causa específica. Também existem formas hereditárias, relacionadas a alterações genéticas, e formas adquiridas, que são extremamente raras. A doença clássica não é transmitida pelo contato cotidiano entre as pessoas.

Os primeiros sinais podem variar, mas geralmente incluem alterações cognitivas de progressão rápida, como perda de memória, dificuldade de raciocínio e mudanças de comportamento. Também podem surgir problemas de equilíbrio e coordenação, alterações da visão e movimentos involuntários, conhecidos como mioclonias. Com a evolução do quadro, o paciente pode apresentar dificuldades para caminhar, falar, engolir e realizar atividades que antes faziam parte da rotina.

O diagnóstico exige uma investigação neurológica cuidadosa, porque os sintomas podem inicialmente se confundir com os de outras doenças. São utilizados exames de ressonância magnética do cérebro, eletroencefalograma e análise do líquido cefalorraquidiano. Atualmente, testes mais específicos, como o RT-QuIC, podem auxiliar na identificação de alterações relacionadas aos príons e aumentar a precisão diagnóstica“, afirma Alice.

Até o momento, não existe cura ou tratamento capaz de interromper a progressão da DCJ. “A assistência é voltada principalmente ao controle dos sintomas, ao conforto e aos cuidados paliativos, além do suporte ao paciente e aos familiares. Estamos diante de uma doença rara, mas que nos ensina muito sobre o funcionamento do sistema nervoso. Uma alteração na estrutura de uma proteína pode desencadear uma sequência de eventos capazes de provocar uma neurodegeneração extremamente rápida. A ausência de um tratamento que consiga modificar a evolução da doença mostra o quanto ainda precisamos avançar na pesquisa científica”, conclui a biomédica.

Por Redação

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