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Comer tarde da noite pode piorar glicemia, colesterol e favorecer ganho de peso, alerta endocrinologista

by Madalena

Comer tarde da noite pode atrapalhar a forma como o organismo processa os alimentos e favorecer alterações na glicemia, no colesterol e no peso corporal. Isso acontece porque o corpo funciona de acordo com um relógio biológico, que organiza diferentes processos metabólicos ao longo do dia.

À noite, quando o organismo começa a se preparar para o descanso, a capacidade de lidar com grandes refeições tende a ser menos eficiente.

Segundo o Dr. Fernando Valente, endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM-SP), o horário em que se come também deve entrar na discussão sobre prevenção e controle de doenças metabólicas, especialmente diabetes tipo 2 e obesidade.

Por que comer tarde da noite pode fazer mal à saúde?

O corpo tem um relógio interno que regula, ao longo do dia, como o organismo lida com os alimentos. Durante o dia, estamos mais preparados para digerir, metabolizar e utilizar a energia ingerida. À noite, o organismo já está se preparando para o sono”, explica o Dr. Fernando Valente.

Quando uma refeição importante é feita muito tarde, esse processamento pode ser menos eficiente. Entre as possíveis consequências estão elevação maior da glicose após a refeição, menor gasto de energia durante a digestão de alimentos e alterações nos mecanismos de saciedade.

“Isso pode favorecer o acúmulo de gordura e o ganho de peso. Ao longo do tempo, também pode contribuir para maior risco de diabetes tipo 2 e alterações do colesterol. Para quem já tem diabetes, pode dificultar ainda mais o controle glicêmico”, acrescenta.

Para quem tem diabetes, não basta observar o que come. O horário também importa?

Sim. De acordo com o endocrinologista, pessoas que fazem refeições muito tarde, especialmente à noite, podem apresentar pior controle da glicose. Mas o horário é apenas uma das peças desse quebra-cabeça. “Peso e glicemia dependem de muitos fatores: genética, qualidade da alimentação, medicamentos, sono, atividade física e vários outros. Ainda assim, organizar os horários das refeições pode contribuir para uma melhor regulação metabólica”, afirma.

Para pessoas com diabetes, a recomendação geral é priorizar as principais refeições mais cedo e evitar jantares muito tardios. Manter horários relativamente regulares também ajuda o organismo a estabelecer uma rotina.

Pular o café da manhã, por outro lado, pode não ser uma boa estratégia para todos. Alguns estudos mostram aumento da glicemia após as refeições que seguem ao longo do dia. Já o hábito de fazer um lanche antes de dormir não apresenta benefício comprovado para o controle do diabetes de forma geral, embora possa ser necessário em situações específicas, como prevenção de hipoglicemia em determinados pacientes.

O Time-Restricted Eating pode ajudar no controle do peso e do diabetes?

O chamado Time-Restricted Eating (TRE), ou alimentação com restrição de tempo, concentra todas as refeições do dia dentro de uma janela definida. Mas o benefício depende de qual período é escolhido. “Não adianta restringir o horário e deixar toda a alimentação para a noite. Isso vai contra o funcionamento do relógio biológico”, ressalta o especialista.

Uma janela mais precoce, por exemplo entre 8h e 18h, pode estar mais alinhada ao período em que o organismo apresenta melhor resposta à insulina e maior capacidade de utilizar a glicose e a energia provenientes dos alimentos. “Esse tipo de estratégia pode ajudar a realinhar o relógio interno e ter algum impacto positivo tanto na glicose quanto no peso. Há estudos mostrando perda de peso um pouco maior em pessoas que concentram a alimentação em uma janela definida, mas os resultados ainda variam entre os trabalhos”, explica.

Ainda segundo o médico da SBEM-SP, o TRE não deve ser iniciado indiscriminadamente, principalmente por pessoas que utilizam insulina ou sulfonilureias, medicamentos que podem provocar hipoglicemia. “Se a pessoa deixa de comer às 18h, mas continua com insulina agindo durante muitas horas, pode ocorrer queda importante da glicose se a dose não estiver ajustada”, alerta o endocrinologista.

Por isso, qualquer mudança sistemática na rotina alimentar deve ser discutida com médico e nutricionista. O objetivo não é apenas reduzir peso ou glicemia, mas fazer isso sem comprometer sono, disposição e segurança, evitando episódios de hipoglicemia e respeitando as necessidades individuais de cada paciente.

Por Redação

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