
O aumento de doenças crônicas entre adultos mais jovens está mudando a lógica da prevenção no Brasil. Dados do Instituto Nacional de Cardiologia e do Ministério da Saúde indicam que mais de 7,8 mil pessoas com menos de 40 anos morreram por infarto entre 2022 e 20241 – um sinal de que problemas antes associados ao envelhecimento estão ocorrendo cada vez mais cedo.
No mesmo período, a prevalência de diabetes mais que dobrou no país, passando de 5,5% em 2006 para 12,9% em 2024, segundo o Vigitel 20252. A obesidade também avançou de forma expressiva, com crescimento de 118%, consolidando um cenário que especialistas já classificam como uma epidemia.
“Diante desse contexto, a recomendação médica tem mudado: o check-up, tradicionalmente indicado a partir dos 45 anos, vem sendo antecipado. O check-up não é só uma medida de saúde individual, mas também uma ferramenta de gestão. Prevenir significa evitar custos futuros e preservar a qualidade de vida“, afirma Cristina Khawali, endocrinologista.
Segundo a especialista, vivemos uma “epidemia” de obesidade, devido ao crescimento acelerado e preocupante da doença nas últimas décadas, e se transformando em um grave problema de saúde pública. Cerca de 70% da população adulta tem sobrepeso, sendo que 30% apresentam obesidade. Isso impacta diretamente a idade de início da rotina de exames que, antes recomendada aos 45 anos, está sendo antecipada”, explica.
Estudos internacionais reforçam os benefícios da prevenção. Uma pesquisa publicada na revista BMC Medicine, que acompanhou cerca de 48 mil pessoas ao longo de nove anos, mostrou que indivíduos que realizavam check-ups periódicos apresentaram menor risco de morte por diversas causas, especialmente doenças cardiovasculares.
Na prática, o acompanhamento regular permite identificar alterações precocemente e iniciar intervenções antes da progressão da doença, o que aumenta as chances de controle e reduz complicações.
Esse impacto também já é observado no ambiente corporativo. Empresas têm incentivado a realização de check-ups como estratégia para reduzir afastamentos e manter a produtividade.
A United States Preventive Services Task Force (USPSTF) recomenda que o check-up seja baseado em faixas etárias e fatores de risco. Além do estilo de vida, fatores individuais – como histórico familiar – também influenciam a periodicidade e o tipo de exame necessário. “Quando existe uma carga genética importante, a recomendação é iniciar a investigação ainda mais cedo, antes mesmo de qualquer sintoma”, finaliza.
Por Redação
