
Principal exame de triagem neonatal, o Teste do Pezinho ajuda a detectar, nos primeiros dias de vida, doenças que podem evoluir sem sintomas aparentes e causar complicações graves ao recém-nascido.
Quando realizado no prazo recomendado, o exame permite antecipar cuidados, iniciar o tratamento adequado e reduzir riscos de sequelas e mortalidade. A cobertura do Programa Nacional de Triagem Neonatal no Brasil foi de 82,69%, segundo o Ministério da Saúde.
“O Teste do Pezinho é um exame simples, rápido e de grande impacto para a saúde do recém-nascido. Muitas doenças identificadas por ele não apresentam sinais logo após o nascimento, mas podem comprometer o desenvolvimento e a qualidade de vida da criança se não forem tratadas precocemente“, explica a pediatra do Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista, Dra. Amanda Sereno.
O exame rastreia doenças como fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, doença falciforme e outras hemoglobinopatias, fibrose cística, hiperplasia adrenal congênita, deficiência de biotinidase e toxoplasmose congênita.
Essas condições exigem atenção porque podem causar complicações graves quando não diagnosticadas cedo. A fenilcetonúria, por exemplo, pode afetar o desenvolvimento neurológico se não houver controle alimentar adequado. O hipotireoidismo congênito pode comprometer o crescimento e o desenvolvimento do bebê. A doença falciforme pode provocar anemia grave, crises de dor e infecções. Já a fibrose cística afeta principalmente os pulmões e o sistema digestivo.
Outras doenças também podem evoluir rapidamente. A hiperplasia adrenal congênita pode causar desidratação intensa e alterações hormonais importantes. A deficiência de biotinidase pode levar a convulsões, alterações de pele e prejuízos neurológicos. A toxoplasmose congênita pode comprometer a visão e o sistema nervoso central.
“Quando uma alteração é identificada logo no início da vida, conseguimos agir antes que a doença provoque danos mais graves. Esse é o grande valor do Teste do Pezinho: antecipar o cuidado“, afirma a Dra. Amanda.
A coleta é feita com uma pequena amostra de sangue retirada do calcanhar do bebê. O material é enviado para análise em laboratório. A recomendação é que o exame seja realizado a partir de 48 horas após o nascimento até o 5º dia de vida.
“O prazo é muito importante porque algumas doenças podem evoluir rapidamente. Por isso, a orientação é que os responsáveis realizem o exame dentro do período indicado”, destaca a médica.
Testes ampliados também estão disponíveis na Santa Casa
O Teste do Pezinho pode ser realizado gratuitamente por meio do SUS, conforme o Programa Nacional de Triagem Neonatal. A pediatra reforça que um resultado alterado no Teste do Pezinho não significa, necessariamente, diagnóstico confirmado. Nesses casos, o bebê deve passar por exames complementares e acompanhamento especializado.
“A triagem neonatal é uma ferramenta simples, acessível e extremamente eficaz. Quanto mais cedo uma condição é detectada, maiores são as chances de tratamento e de qualidade de vida para o bebê“, conclui a Dra. Sereno.
Por Redação
