
O câncer de ovário é hoje o tumor ginecológico mais letal entre as mulheres. Embora não seja o mais frequente, é o que mais mata dentro da ginecologia oncológica, principalmente porque, na maioria dos casos, o diagnóstico acontece tardiamente, quando a doença já está em estágio avançado.
De acordo com o ginecologista Dr. Ricardo dos Reis, membro da Comissão Nacional Especializada (CNE) de Ginecologia Oncológica da FEBRASGO – Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, entre 70% e 80% das pacientes recebem o diagnóstico apenas nos estágios 3 ou 4 da doença. “Isso confere uma agressividade muito maior ao quadro. Infelizmente, nas fases iniciais, o câncer de ovário costuma não apresentar sintomas ou provoca manifestações muito leves e inespecíficas, como desconforto abdominal discreto ou alteração do hábito intestinal, que podem ser confundidas com diversos outros problemas”, explica.
Essa característica torna o diagnóstico precoce um dos maiores desafios da doença. Ao contrário do que ocorre com o câncer do colo do útero e com o câncer de mama, o câncer de ovário ainda não conta com um exame de rastreamento comprovadamente eficaz para detectar a doença de forma precoce e reduzir a mortalidade.
Segundo o especialista, o ultrassom transvaginal tem papel importante na investigação de dor pélvica ou na avaliação de uma suspeita de lesão ovariana, mas não funciona como exame de rastreamento populacional. “Ele é muito útil para avaliar massas ovarianas e ajudar na definição da conduta, inclusive cirúrgica. Mas, quando feito de rotina em mulheres sem suspeita clínica, não mostrou benefício em termos de diagnóstico precoce nem aumento de sobrevida”, afirma.
Essa conclusão é respaldada por grandes estudos internacionais que avaliaram o rastreamento da doença. Entre eles estão o estudo americano PLCO Trial e o europeu UKCTOCS, que analisaram o uso rotineiro de ultrassom transvaginal associado ao marcador tumoral CA-125. Os resultados mostraram que a estratégia não levou à redução da mortalidade, motivo pelo qual os consensos internacionais atuais não recomendam exames de rastreamento para o câncer de ovário.
Na prática, isso significa que muitos diagnósticos ainda acontecem por acaso, quando a paciente procura atendimento por sintomas vagos ou durante a investigação de uma massa pélvica identificada em exame de imagem. “Não há como fazer o diagnóstico precoce dessa doença de forma rotineira. Infelizmente, ainda não temos para o câncer de ovário algo equivalente ao que existe para colo uterino ou mama”, reforça Dr. Ricardo.
“O ginecologista geral pode ter um papel importante na abordagem diagnóstica inicial da massa pélvica. Já a cirurgia de estadiamento e o tratamento definitivo devem ser realizados em centros especializados, para garantir que a paciente receba a melhor condução possível”, conclui.
Por Redação
