
Há cerca de duas décadas o mundo científico vem observando avanço expressivo na prevalência dos casos de câncer de mama em mulheres com menos de 40 anos. Vale destacar que o manejo dessas pacientes exige atenção, pois envolve particularidades na sua detecção e condução.
No Brasil, dados oficiais justificam essa preocupação. O Instituto Nacional do Câncer divulgou que de 7 a 10% dos cânceres de mama diagnosticados ocorrem nessa faixa etária, embora a doença continue sendo predominante em mulheres acima dos 50 anos.
Em decorrência desse cenário, a partir de 01/10 a Agência Nacional de Saúde Suplementar determinou a mamografia digital como método diagnóstico para pacientes de alto risco, com menos de 40 anos, independente de gênero, desde que haja indicação médica.
Até então, o Ministério da Saúde preconizava a realização de mamografia em mulheres de 40 a 49 anos, sob demanda; de 50 a 74 anos, com rastreamento a cada dois anos para mulheres assintomáticas; acima de 74 anos com indicação personalizada e de acordo com o estado de saúde geral e com expectativa de mais sete anos, no mínimo, de vida da paciente.
“Temos acompanhado a evolução da incidência da doença em mulheres mais jovens e essa medida é determinante para o diagnóstico nessa faixa etária”, completa Edison Mantovani, chefe do Departamento de Mastologia do IBCC Oncologia.
Mamografia digital
A mamografia digital é um exame padrão ouro no rastreamento do câncer de mama e permite detectar a doença de forma precoce. As imagens são capturadas por meio de sensores eletrônicos, gerando arquivos de alta nitidez que possibilitam ao médico realçar detalhes e identificar lesões mínimas, como nódulos pequenos ou microcalcificações.
Diagnóstico e cenário desafiadores
Os recursos diagnósticos para essa faixa etária disponibilizam exames que vão além da mamografia digital pelo fato de as mamas serem mais densas nessa idade. O médico alerta que “em muitos casos é necessário também associar outros exames, como ultrassonografia das mamas e ressonância magnética das mamas”.
Além disso, os tumores que acometem pessoas mais jovens costumam ser biologicamente mais agressivos. Devemos considerar ainda que, como o câncer de mama não é esperado nessa faixa etária, o diagnóstico pode ser mais tardio.
Para tentar superar esses desafios, Mantovani dá alguns recados importantes: “A mulher precisa conhecer o seu corpo e, em caso de qualquer suspeita, procurar imediatamente o seu médico para esclarecimento”.
Por que a redução da idade?
A Ciência ainda está em busca de uma resposta que justifique o aumento da prevalência do câncer de mama em mulheres com menos de 40 anos, mas estudos iniciais indicam que os principais fatores de risco são hábitos de vida, como obesidade, alimentação inadequada, sedentarismo (falta de exercícios físicos), consumo de álcool, tabagismo e gestação em idade mais avançada ou até mesmo ausência de gravidez.
Segundo o mastologista, “o câncer de mama é o mais letal entre os tumores que acometem as mulheres. A ida regular ao mastologista e a atenção ao corpo são essenciais para que ele possa ser diagnosticado no início e tenha mais chances de cura. Hoje, a Medicina conta com tratamentos cada vez mais eficazes, envolvendo técnicas cirúrgicas conservadoras, tratamentos sistêmicos e radioterápicos mais efetivos. Estamos buscando incessantemente novos recursos para o tratamento, mas devemos lembrar que essa é uma luta conjunta de médicos e pacientes”, revela.
O que é câncer de mama
O câncer de mama decorre de uma modificação no comportamento das células que compõem a glândula mamária, que passam a crescer e se multiplicar, invadindo outros tecidos.
Fatores de risco
O fato de ser mulher, idade acima de 40 anos ou, em casos de alto risco, abaixo dessa idade, histórico familiar, hábitos de vida, uso de hormônios e de álcool, tabagismo e gravidez em idade avançada ou não ter filhos.
Diagnóstico
Mamografia associada a ultrassom de mama, ressonância magnética mamária e biópsia percutânea, dependendo do caso.
Detecção precoce
A detecção precoce é o que há de mais eficaz para a cura do câncer de mama, podendo superar 90%.
Tratamento
Cirurgias conservadoras ou radicais, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia, imunoterapia e terapias-alvo.
Taxa de incidência
78.610 novos casos de câncer de mama por ano durante o triênio de 2026 a 2028 (dados Inca).
Para finalizar, Edison Mantovani lembra que “infelizmente, a taxa de mortalidade decorrente do câncer de mama ao longo dessas últimas décadas não registra queda no Brasil, pois o diagnóstico continua sendo de casos mais avançados”.
Ele enfatiza ainda que “em países com nível socioeconômico mais alto e populações mais esclarecidas em relação ao câncer de mama, a curva de mortalidade vem caindo. Esse é um desafio que precisamos enfrentar para mudar nossa realidade. Para isso são necessárias políticas públicas voltadas para a saúde da mulher e campanhas de conscientização para adesão ao tratamento”.
Por Redação
