
Uma doença rara, de evolução lenta e sintomas discretos, ainda desafia médicos e pacientes pelo atraso no diagnóstico: o pseudomixoma peritoneal. Caracterizada pelo acúmulo progressivo de material mucinoso na cavidade abdominal, a condição geralmente se origina no apêndice e pode levar anos para ser identificada corretamente.
Segundo o cirurgião oncológico Dr. Arnaldo Urbano Ruiz, Coordenador do Centro de Doenças Peritoneais do Hospital A Beneficência Portuguesa de São Paulo e diretor do Centro de Carcinomatose Peritoneal, o grande problema está justamente na apresentação clínica inespecífica.
“O pseudomixoma peritoneal costuma causar aumento gradual do abdômen, sensação de estufamento e desconforto abdominal, sintomas facilmente confundidos com distúrbios gastrointestinais comuns. Isso faz com que muitos pacientes convivam com a doença por muito tempo sem um diagnóstico preciso”, explica.
Por se tratar de uma condição rara, o pseudomixoma peritoneal também é pouco conhecido fora do meio especializado, o que contribui para encaminhamentos tardios e tratamentos inadequados. “É uma doença que exige alto grau de suspeição clínica e avaliação em centros especializados, nos quais há profissionais experientes tanto no diagnóstico quanto no tratamento”, destaca o médico.
Diagnóstico e tratamento
Apesar dos desafios, os avanços na cirurgia oncológica peritoneal mudaram de forma significativa o prognóstico desses pacientes. Atualmente, o tratamento pode incluir a cirurgia citorredutora, que remove o máximo possível da doença visível, associada à HIPEC, a quimioterapia intraperitoneal hipertérmica aplicada diretamente na cavidade abdominal.
“A HIPEC permite uma ação mais direta sobre as células tumorais remanescentes e tem papel fundamental no controle da doença, quando bem indicada e executada por profissionais experientes”, afirma Dr. Arnaldo.
De acordo com o especialista, quando realizada por equipes experientes e em centros de referência, essa abordagem pode proporcionar melhor controle da doença, aumento da sobrevida e preservação da qualidade de vida.
“O pseudomixoma peritoneal deixou de ser uma condição sem perspectiva terapêutica. Hoje, temos estratégias eficazes, desde que o paciente seja corretamente avaliado”, ressalta.
Para o médico, a conscientização da população e dos profissionais de saúde é um passo essencial. “Barriga inchada persistente não deve ser considerada normal, especialmente quando evolui de forma progressiva. Quanto mais cedo o paciente chega ao centro adequado, maiores são as chances de um tratamento eficaz”, reforça.
Por Redação
