
As festas de fim de ano reúnem tudo o que costuma desafiar o controle do diabetes: ceias fartas, sobremesas tradicionais com muito açúcar, consumo de álcool e longos períodos beliscando ao longo do dia. Para quem convive com a doença, esse conjunto de fatores pode favorecer descompensações glicêmicas importantes tanto para mais quanto para menos.
Segundo o endocrinologista Prof. Dr. Fadlo Fraige Filho, presidente da ANAD – Associação Nacional de Atenção ao Diabetes, o problema não está na celebração em si, mas na soma de excessos. “As festas representam risco quando a pessoa com diabetes abandona completamente sua dieta prescrita. É possível comemorar, sim, mas com escolhas mais conscientes: proteínas, vegetais, saladas e frutas já são suficientes para uma boa ceia“, afirma.
Dra. Tassiane Alvarenga endocrinologista e metabologista, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), explica que o metabolismo da pessoa com diabetes tem menor capacidade de lidar com grandes variações de glicose. “Quando há excesso de carboidratos simples, associado ao álcool e a picos glicêmicos repetidos ao longo do dia, a glicemia tende a se desregular com mais facilidade“, explica.
O consumo de bebidas alcoólicas é um dos pontos que mais exige atenção. Além do impacto direto na glicemia, o álcool interfere no funcionamento do fígado. “O álcool é hipoglicemiante e pode inibir a liberação de glicose pelo fígado, o que aumenta o risco de hipoglicemia tardia, especialmente em quem usa insulina ou medicamentos que estimulam a secreção de insulina“, alerta a Dra. Tassiane.
O Prof. Dr. Fadlo reforça que nem todas as bebidas têm o mesmo efeito. “Devem ser evitadas bebidas alcoólicas adocicadas, como licores, vinhos doces e drinks açucarados. O vinho tinto seco pode ser ingerido durante a refeição, em quantidades moderadas. Já a cerveja é fonte de carboidrato e tende a elevar a glicemia“, explica.
Sobremesas: onde mora o maior perigo
As sobremesas tradicionais das ceias também merecem atenção especial. Rabanadas, pavês, tortas, panetones recheados, pudins, mousses e doces à base de leite condensado concentram grandes cargas de açúcar em pouco volume.
“Quando a sobremesa vem após uma refeição rica em carboidratos, o risco de pico glicêmico é ainda maior“, explica a Dra. Tassiane. Segundo ela, estratégias simples ajudam a reduzir esse impacto, como priorizar proteínas ao longo da refeição, evitar repetições e manter porções menores.
Para o Prof. Dr. Fadlo, frutas continuam sendo a opção mais adequada. “As sobremesas mais indicadas para pessoas com diabetes são as frutas, inclusive frutas secas, associadas a oleaginosas como nozes, castanhas e amêndoas, sempre com moderação”, orienta.
Quando o exagero acontece: sinais de alerta
Mesmo com planejamento, excessos podem ocorrer e reconhecer os sinais é fundamental. A hipoglicemia pode causar tremores, suor frio, tontura, palpitações, confusão mental e até perda de consciência, sintomas que muitas vezes se confundem com os efeitos do álcool.
“Por isso é essencial que a pessoa com diabetes tenha sempre consigo o glicosímetro e uma fonte rápida de glicose“, destaca o Prof. Dr. Fadlo.
Já a hiperglicemia costuma se manifestar com sede intensa, aumento do volume urinário, boca seca, cansaço extremo e mal-estar geral. Nesses casos, hidratação, monitorização da glicemia e avaliação médica são fundamentais.
Planejamento faz toda a diferença
Para ambos os especialistas, o ponto central é não abandonar o tratamento durante as festas. “Não deixar de aplicar insulina, não suspender medicamentos e respeitar os princípios básicos do tratamento são atitudes indispensáveis“, reforça o Prof. Dr. Fadlo.
“É possível aproveitar as festas, sim, com prazer. O que protege a saúde é a estratégia: comer com atenção, beber com moderação, monitorar a glicemia e entender que celebrar não precisa significar perder o controle“, completa Dra. Tassiane.
Por Redação
